Como foi o show dos Mutantes em Miami. (Postado em 8/7/2006)

 

Você foi? Eu fui e vou guardar pra sempre, nas gavetas dos arquivos afetivos de minha memória, tudo o que vi, ouvi, senti ali naquele teatro.

Chegamos, eu e Ramatis,  às 6 e meia da tarde. Encontramos no estacionamento o James Quillan, da Rhythm Foundation (promotora do evento), todo sorridente. Os Mutantes ainda estavam fazendo o sound check.

Em busca de nossa tribo, entramos pela porta lateral do teatro. Lá já estavam na platéia Neusa e equipe do BRTV Online (Jefferson e Fernando), Gene de Souza, galera da produção e fotógrafos.

No palco já montado pro show, busquei em vão por algum CCDB  (para saber o que é um CCDB, volte e leia o texto postado no blog com o título Os Irmão Dias Baptista). Não havia nenhum. (Nem sinal de válvulas…) Sentamos e ficamos observando. Discretamente.

Sergio Dias, com muita educação e profissionalismo, dirigia tudo.

Começou a rolar em mim uma certa aflição. Já me apresentei algumas vezes naquele teatro e sei muito bem o quão difícil é tirar um som de qualidade naquele espaço. Hoje, o Manuel Artime é um teatro mas parece que era originalmente uma igreja. Sonora e acusticamente  falando, deixa muito a desejar  para quem está no palco e para quem está na platéia.

Acerta daqui, acerta de lá mas som, técnicos e sound engineer não se acertavam. Microfonia, som de voz horrível, muita reverberação. Som de palco sofrível! A única vez que vi um som de qualidade muito boa ali foi em um show do João Bosco junto com o Gonçalo Rubalcaba. Na ocasião, todos no palco estavam usando retorno de ouvido.

É isso! Retorno de ouvido! Ear monitor! (Fica aqui a dica para produtores/organizadores de futuros shows no Manuel Artime Theatre) Um dia escrevo mais detalhadamente sobre o assunto.

Mas, voltando ao sound check da banda, começou a me dar "um nervosinho". tempo passava e o som não se acertava. Não queria ficar preocupada. É sempre assim quando vou assistir show de algum amigo ou de artistas e bandas dos quais sou fã.

Lembrei que minha câmera fotográfica estava sem pilhas e que tinha que encontrar, ali em Little Havana (bairro cubano onde fica o teatro), um local onde comprá-las. E lá fomos nós.

Ao voltarmos, a porta principal de entrada do teatro estava cheia. Além do público trintão, quarentão, cinquentão, sessentão, setentão, várias tribos mais. Observei uma garotada de 18 a 20 anos, vestindo roupas coloridas, batas, jeans, camisetas, cabelões. Tipo  " Flower Power Time". Outros trajavam preto. Franjões. Um certo ar "blasé". Mas todas as tribos estampavam um ar de felicidade e centelha curiosa no olhar.

Antes de 8 da noite as portas do teatro foram abertas ao público. Após alguns abraços e beijos em vários queridófilos de plantão, entrei, sentei.


Dennis Miller, eu, Sr.João Almino

 

Não vou negar que meu coração bateu mais forte quando o Gene de Souza, no palco, dizendo o texto de agradecimentos gerais e apresentação da banda, gritou emocionado e eufórico a frase final:

-Eu nunca imaginei que um dia pudesse estar aqui apresentando OS MUTANTES!!!!

A cortina se abriu. Lá estavam eles: Sergio Dias, Arnaldo Baptista, o baterista Dinho, a cantora convidada Zelia Duncan, dois tecladistas, um contra-baixista, dois  "back vocals" e a percussionista Simone Soul.

Rolou a máquina do tempo novamente na minha cabeça. Tum tum – tum tum – tum tum  -   Beat acelerado do meu coração… Apesar da sofrível qualidade do som que chegava ao público, valeu a pena ter vivido até aquele dia.

 


Toda a banda

 

Infelizmente muitos sons e efeitos de teclados (substituindo os metais e as cordas dos arranjos originais – fica difícil fazer uma turnê dessas com naipes de metais e cordas ao vivo) ficaram perdidos no ar, no limbo e, na maioria das vezes, não foram sequer ouvidos/sentidos pelo público.

As canções foram se sucedendo. A cada uma, eu me perguntava: – Eles compuseram isto, este som progressivo, esses arranjos, com aquela idade e naquela época? Creio que eles passaram imunes à censura pois, para a ditadura militar, deviam ser somente uns malucos, uns doidões. Toda ditadura é burra…

Arnaldo Baptista parecia um pintinho no lixo, tocando, cantando, sorrindo, gesticulando com enorme alegria e contagiando a todos. Feliz!!!!

 


Arnaldo Baptista

 

Sergio e Zelia, com maestria e cumplicidade, conduziam o show. Zelia foi um capítulo a parte. Imprimiu às canções e ao revival seu estilo, seu modo de cantar, sua personalidade, com sua voz bela e afinadézima. Em nenhum momento pretendeu (ou quis) ser Rita Lee. "No cover". Total e simplesmente Zelia.


Zelia e Sergio

 

Tudo bem ensaiado, certinho. Apesar do som sofrível da casa o show foi BOM PRA CARAMBA!!!!! BOM DEMAIS!!!!

Para mim, o clímax rolou  quando soaram os primeiros acordes de BALADA DO LOUCO. Há muito tempo não ficava arrepiada daquela maneira ao ouvir uma canção.

Pela primeira vez assisti um show brasileiro, em South Florida, sentadinha, sem precisar ficar de pé só porque a pessoa sentada à minha frente queria pular, dançar. Ponto para a produção e seguranças que (sem violência, autoritarismo e prepotência) só permitiram que as pessoas ficassem de pé ao final do espetáculo e nas laterais do teatro, não impedindo a visibilidade de quem estava sentado e queria realmente ouvir e curtir o show.

 


Público no teatro ao final do show

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