Do que me orgulho do Brasil? (Postado em 9/7/2007)

 

Semana da independência. Festas, shows, bailes, jantares e almoços comemorativos. Muito verde, amarelo, branco e azul anil… Do que me orgulho do Brasil?

Hoje?

De Oscar Niemeyer.

Vi no Acontece.com as fotos do Brazilian Day em New York. Uma coisa! Espetacular!

Tive o prazer de me apresentar lá por três vezes, no século passado (97, 98 e 99). Aquela festa (como escreveu meu amigo baiano CB em seu editorial no Gazeta News) é para as pessoas que comparecem, uma espécie de final de Copa do Mundo de futebol onde o time canarinho vence sempre. E de goleada. Alma lavada, alegria e felicidade geral!

Aproveito a oportunidade para dizer o quanto lamento por não termos este ano o Brazilian Day aqui em South Florida, produzido e promovido por Débora Cristina e equipe.

Vejam texto sobre a festa do ano passado, em Deerfield Beach, postado aqui neste blog, mais ao final desta página. Ela enviou uma mensagem a todos comunicando o cancelamento da festa este ano e o motivo.

Uma pena!!! Pois é. Fica aqui o registro do fato, um abraço e apoio para Débora.

Estive no Rio de Janeiro no final de agosto, somente por quatro dias. Ir ao Brasil é sempre bom demais. Mesmo que a idéia/sensação de "posso ser assaltada/ sequestrada/ atingida por uma bala perdida a qualquer instante" insista em fincar pé e fazer moradia na cabeça.

"Não posso impedir que os pássaros voem ao redor de minha cabeça. Mas posso, com certeza, impedir que eles façam ninhos nela".

Com esta frase atarraxada no inconsciente, adorei minha curta estadia na Cidade Maravilhosa.

O maestro Tom Jobim, motivo de eterno orgulho do Brasil, me deu as boas-vindas no aeroporto batizado com seu nome, através da placa em sua homenagem, com trecho da letra do Samba do Avião.

Aprovei para visitar e conhecer um local onde nunca havia ido: o Museu de Arte Contemporânea de Niterói, o MAC, popularmente chamado de Espaço Niemeyer, na praia da Boa Viagem, em Niterói.

Uma explicaçãozinha para quem não conhece o Rio:
Niterói é uma cidade vizinha ao Rio de Janeiro. Entre as duas cidades existe a baía de Guanabara.

Niterói fez história por ter sido berço natal do índio Araribóia, que lutou ao lado de Estácio de Sá e ajudou a expulsar os invasores franceses das terras cariocas, há priscos tempos atrás.

Os cariocas, gozadores de carteirinha em tempo integral, dizem que a melhor coisa de Niterói é a vista do Rio de Janeiro.

E para completar a piada: até a estátua do Araribóia, na estação das barcas em Niterói, dá as costas para sua cidade e fica olhando extasiado para a Cidade Maravilhosa.



Ao visitar o MAC, percebi que esta piada dos cariocas com os fluminenses (este é o nome que se dá aos nascidos nas demais cidades do estado do Rio de Janeiro) já não tem mais razão de ser, perdeu a graça. O MAC é um lugar maravilhoso!!!

Projetado por Oscar Niemeyer, parece uma nave espacial, uma rara flor surgindo na paisagem exuberante entre a baía e a montanha.


Dentro do MAC, com vista da praia de Icaraí

Mesmo com o dia nublado, a beleza das formas arquitetônicas somadas às da baía de Guanabara faz bem às retinas da alma

"Oscar Niemeyer, o maior gênio da nossa arquitetura completa um século de vida dia 15 de dezembro de 2007, com irreverência e lucidez invejáveis.

Nos últimos setenta anos, ele tem se dedicado a construir a identidade nacional por meio de suas instigantes obras. Acumula centenas de projetos espalhados em cinco continentes: casas, escolas, igrejas, hotéis, hospitais, museus, universidades, estádios, aeroportos, monumentos.
Segundo ele, de um traço nasce a arquitetura. E quando ele é bonito e cria surpresa, ela pode atingir, sendo bem conduzida, o nível superior de uma obra de arte."


No subsolo há o BistroMAC, um restaurante com uma vista e uma comida D I V I N A S!!! Minha irmã, eu e minha mãe saboreando a sobremesa após o delicioso almoço.

Doutor Oscar, como é chamado carinhosamente pelos inúmeros admiradores, nasceu no bairro de Laranjeiras, na cidade do Rio de Janeiro.

Em 1934 se formou engenheiro-arquiteto. Em 1936, já trabalhando no escritório de Lucio Costa e Carlos Leão, ajudou a projetar o prédio do Ministério da Educação e Saúde, no centro do Rio.

Seu primeiro trabalho individual foi o Complexo da Pampulha, em Belo Horizonte, a convite do então prefeito da capital das Gerais, Jucelino Kubitschek, que viria a se tornar presidente do Brasil.

Palavras de Niemeyer: "Não é o ângulo reto que me atrai, nem a linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual, a curva que encontro nas montanhas do meu país, no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o universo."

Filiado desde 1945 ao Partido Comunista (do qual se desligou em 1990), teve problemas com os milicos durante a ditadura (1964/1985). Teve seu escritório invadido e saqueado e seus trabalhos começaram a ser recusados.
"Lugar de comunista é em Moscou". Declaração do Ministro da Aeronáutica à imprensa na época. Niemeyer não foi para Moscou. Exilou-se em Paris.

Durante o exílio, fez uma série de projetos.

Retornou ao Brasil, com a anistia, em 1980.

Vários projetos se sucederam dentro e fora do Brasil após sua volta.

Sem sombra de dúvida, no conjunto de sua obra, a mais famosa e conhecida mundialmente é a cidade de Brasília.
Quando eleito presidente do Brasil em 1955, JK anunciou a mudança da capital federal da cidade do Rio de Janeiro para o planalto central do país.

Abriu concurso para eleger o projeto para o plano piloto de Brasília. Lúcio Costa foi o vencedor e chamou Niemeyer, seu amigo e antigo funcionário, para ser o encarregado dos projetos dos prédios.

A nova capital federal tinha que ser inaugurada em 21 de abril de 1960, impreterivelmente.

O prazo apertado não impediu que Niemeyer trabalhasse com ampla autonomia, com liberdade quase irrestrita, sem se subordinar às razões da técnica ou da funcionalidade, rompendo com os padrões arquitetônicos pré-estabelecidos, dentro de uma atmosfera de "sonho e poesia", como define.

Niemeyer continua criando e produzindo até hoje.
Talvez venha desta criatividade incessante seu vigor e lucidez, à beira dos cem anos de vida bem vivida.

É um brasileiro conhecido e respeitado no mundo todo.
Motivo de orgulho de ser brasileiro numa época onde a corrupção, a falta de respeito com o cidadão de bem, a falta de vergonha na cara, falta de caráter, falta de pudor ou de qualquer senso moral dos políticos brasileiros nos atolam num lodaçal que parece querer perdurar (A QUALQUER CUSTO) por mais vinte anos…

Salve, salve, Doutor Oscar!

Rose Max

PS: Aproveito a oportunidade para convidar os leitores a verem nossos vídeos no youtube. Basta acessar youtube.com/ramatis2

Obrigada pela visita e apoio.
Inté!

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