No camarim com os Mutantes. (Postado em 8/8/2006)

 

Ao final do show, parecia que levitávamos. Porre de felicidade.

Encontramos a Vanessa "Dindi", esposa do Gene de Souza, que nos convidou a ir ao camarim com ela. No caminho, do lado de fora do teatro, avistei uma rapaziada sentada no chão, perto da tal entrada lateral do backstage já  mencionada.

De imediato, me chamou a atenção a camiseta que um dos meninos usava: era amarela com a figura de dois unicórnios brancos fazendo amor. Lindo!

Puxei assunto com a galera.

Todos falavam inglês, eram americanos, deviam ter entre 18 e 21 anos de idade. Me agachei para ficar mais próxima deles e vi que tinham nas mãos várias capas originais de alguns discos ( de vinil) dos Mutantes.

-Caramba! Os garotos  tinham  raridades nas mãos, pensei com meus botões.

 


Fã de Jacksonville com os bolachões dos Mutantes

 

Ao perguntar onde haviam conseguido aqueles discos, disseram que eram músicos, tinham vindo especialmente de Jacksonville (cidade ao norte da Flórida, distante muuuuuuuiiiiiitos quilômetros de Miami) para ver os Mutantes pois eram fãs aficcionados da banda. Haviam comprado os discos (uma raridade, eles bem sabiam) em uma loja de coisas usadas.

- Vocês já falaram com os Mutantes? perguntei.

- Não. O segurança barrou a gente.

Como? Ficamos indignados. Sergio, Arnaldo, Dinho, Zelia e todos mais tinham que saber sobre esses fãs. Pra mim, fã é a coisa mais sagrada para um artista. A emoção que sentimos ao ver nosso trabalho musical apreciado é infinita. Tínhamos que fazer alguma coisa para promover imediatamente o encontro daquela garotada com Sergio, Arnaldo e Companhia.

Entramos no camarim. Nem é preciso dizer que não havia nenhum clima de estrelismo no recinto. Fãs, amigos  e admiradores  felizes  conversavam, fotografavam e abraçavam os artistas e a banda. Todos muito solícitos e gentis com o público.

"Parecia que estavam vestidos com a humildade daqueles que sabem que sabem". Sergio Dias, um gentleman, conversou conosco, lembrou do Índio e do episódio que narrei no texto Os irmãos Dias Baptista, postado no blog.

 


Ramatis e Sergio Dias

 

Zelia Duncan, toda sorrisos, com sensação de dever (super bem) cumprido na alma, foi portadora de um abraço meu para minha "Fada Magrinha" Suely Mesquita, sua parceira lá no Rio de Janeiro. (Prometo que um dia desses vou falar para vocês sobre minha "Fada Magrinha" Suely Mesquita, que me ensinou quase tudo que sei dos caminhos da arte de cantar)

 


Rose e Zelia

 

Contamos pro Sergio sobre os garotos de Jacksonville.
-Cadê eles? Traz a garotada aqui.
Saí para trazê-los.

No meio do caminho tinha um segurança. Tinha um segurança no meio do caminho.

Um segurança. Americano.  Querendo mostrar serviço. Não me deixou sair  e ainda me ameaçou:

-Se sair, não entra mais.

Mas…. e os meninos de Jacksonville? Retornei ao camarim, contei pro Ramatis o "embarreramento" acontecido.

-Fica fria, ele  me disse.

Foi lá fora e trouxe os meninos. Na moral .
Papo que rolou  entre o segurança e ele:
-Você é músico?
-Sim, sou músico.
-OK. Pode entrar.
Entraram todos. "Mó"  galera, morou!!!

Ramatis mentiu? Não. O cara perguntou se ele era músico daquele show? Não. Foi usada na resposta a lógica americana. Sem maiores delongas. Sabe como é que é?

Os meninos de Jacksonville entraram . Se emocionaram e choraram ao ver, falar e receber autógrafo do Sergio Dias.

 


Sergio autografando capa dos discos

 

Deram de presente um disco da banda deles pro Sergio. Eu, Ra e Ivo de Carvalho (super alma e grande guitarrista de Sampa que mora em North Miami Beach) ficamos olhando, emocionados, aquela cena. Fã é coisa sagrada!!!!!!! Sabemos bem disso.

 


Ivo de Carvalho e galera no camarim

 

Gene de Souza, num bate-papo animado com Simone Soul (percussionista competente e energética), era só sorrisos.

 


Simone Soul e Gene

Parabéns, Rhythm Foundation!!! Os Mutantes: show do ano!

O mesmo clima feliz rolou com Lineu Vitale e Dinho, conterrâneos e contemporâneos da Paulicéia Desvairada e amada.

 


Lineu e Dinho

 

Ainda tive o prazer de encontrar e conhecer meu amiguinho e vizinho de blog, o Roy, e sua simpática mãe.

 


Roy

 

E pra fechar a tampa desta memorável noite com chave de ouro cravejada de diamantes, ametistas, brilhantes e olho de tigre, ao chegar em casa vi o Jô Soares, na Globo Internacional, entrevistando nada mais nada menos do que  o mestre de outra etapa importante da história da música brasileira, Pery Ribeiro. Mas isso é papo para uma outra hora.

Inté!
Feliz vida!
Rose Max
www.rosemax.com

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