St. Petersburg e golfinho (ou seria golfinha?)

 

Fala sério

Passei quatro dias maravilhosos com a família em St. Petersburg, aproveitando a folga do Thanksgiving. Praias deslumbrantes, visita ao museu de Salvador Dali, jantares em bons restaurantes e o delicioso clima da Flórida – sol durante o dia e friozinho já ao cair da tarde, daqueles que não exigem mais do que uma camisa de manga comprida. Quem precisa mais?


St. Pete, com suas praias deslumbrantes e clima agradável, é a cidade mais triste dos EUA

Bem, veio a segunda-feira e, ainda inebriado com o passeio, me vi obrigado a retornar à labuta diária. “O trabalho não é o problema, o problema mesmo é ter que trabalhar”, filosofou certa vez o sábio Seu Madruga, provavelmente depois de voltar de um fim de semana prolongado em St. Petersburg.

E se já não bastasse tamanho tormento, dou de cara com uma matéria na revista, mostrando um ranking das cidades mais tristes dos Estados Unidos (como americano adora uma listinha, né?). Para minha surpresa, a pequena e pacata St. Petersburg encabeça a tal lista. E mais: a Flórida emplacou outras quatro representantes entre as 20 cidades mais tristes do país – Tampa (4ª), Miami (8ª), Jacksonville (13ª) e Orlando (19ª). Veja a reportagem original em inglês no link www.menshealth.com/best-life/frown-towns

Os critérios adotados pela revista Men's Health para elaborar o ranking incluem o número de suicídios e o uso de antidepressivos entre a população, além do índice de desemprego. Hummm… subjetivo, não? Mais gritante ainda é que os estatísticos listaram cidades como Fargo (North Dakota), Omaha (Nebraska) e Madison (Wisconsin) entre as Top 10 mais alegres dos EUA.

Fala sério! Nada contra as referidas cidades, mas é difícil imaginar que qualquer uma delas seja mais agradável de se viver do que qualquer uma das cidades da Flórida, mesmo Hialeah. O nosso estado detém o recorde mundial (está no Guiness) de 768 dias seguidos de sol e os moradores de Fargo costumam enfrentar temperaturas de até 40 graus negativos (Celsius), com cerca de 30 inches de neve – e quem viu o filme dos Irmãos Coen sabe do que estou falando. Em Orlando, só fica triste quem perde o lugar na fila para tirar a foto com o Mickey, enquanto a vida em Omaha deve ser tão miserável que chegaram a criar um site para falar mal da cidade (é verdade, veja só: www.ihateomaha.livejournal.com). Por fim, tomando emprestado parte da frase de Milton Nascimento, como é possível ficar de frente para o mar de Miami ou St. Petersburg e não sorrir de alegria?

A verdade é que estas listas não valem de nada, a não ser para conversa de bar e tema de textos em blogs. Por fim, vale a dica de uma visita a St. Pete, apesar da campanha em contrário da Men's Health.

Obs1: Alguém, por favor, fale algo em defesa de Jacksonville, pois eu não encontrei nada.
Obs2: A quem interessar possa, a cidade mais alegre do país de acordo com o ranking é Honolulu, no Havaí… deve ser influência daquelas dançarinas de hula.
 

Winter

Sem qualquer apologia a St. Petersburg, até porque não estou ganhando nada da secretaria de turismo local, vale dizer aqui o real motivo de nossa ida à cidade no feriado.

Winter, exemplo de superação

 

 

 

 

 

 

 

 

Há poucos meses assistimos ao filme ‘Dolphin Tale’, que conta a história real do golfinho (ou seria golfinha??) Winter. Para quem não conhece, Winter perdeu sua cauda depois de ficar presa numa dessas armadilhas de pesca, ou manzuá, como falam no Brasil, e foi levada para o Aquário de Clearwater, vizinha a St. Pete. Lá, recebeu carinho e tratamento adequado, além de uma prótese que evitou sua morte por problemas de coluna, decorrentes da incapacidade em nadar sem a cauda.

Hoje, o bicho é a principal atração do aquário, ao lado de um outro golfinho, que tem quase 50 anos de idade (a espécie não costuma viver mais do que três décadas) e ainda por cima é surdo. Ou seja, exemplos de superação, que emocionam mesmo quem tem coração de pedra. Confira o site www.seewinter.com

Que bom que minha filha insistiu para ver a Winter. Quem sabe, se eu tivesse lido a matéria da Men's Health antes, teríamos aproveitado o Thanksgiving no Nebraska.

3 Responses to “St. Petersburg e golfinho (ou seria golfinha?)”

  1. cARA, QUE TEXTO ENCANTADOR. PARABÉNS!
    NA MINHA PRÓXIMA VISITA Á FLÓRIDA VOU DAR UMA ESTICADA A ST.PETE
    E VER ESSAS MARAVILHAS TODAS.

     
  2. Carlos, muito bom o seu texto! Eu morei em St Pete por 5 anos. A vidinha lá era bem gostosa, tinha qualidade de vida… Vivia de bicileta, a faculdade era de frente para o mar… realmente não posso reclamar dos meus tempos por lá. Porém, por ser de São Paulo, cheguei em Miami, vi prédios e não quis mais voltar p a pacata St. Pete. Mas vale a dica… Quem for, não deixe de ir conhecer Fort Desoto, passear por Downtown e experimentar um dos deliciosos restaurantes (como St. Pete Brasserie, Z-Grille, Ceviche). Gulfport é um bairro delicioso também: tem o Artwalk, um sábado por mês.

     
  3. Carlos, adorei o seu texto,leve e descontraido, ja estive em St. Pete e adorei a minha estadia por la, infelizmente, eu ainda nao sabia da existencia do golfinho na ocasiao, e como voce so fiquei sabendo depois de ter assistido o filme, juntamente com o meu netinho de 6 anos que insistiu em ver varias vezes, me apaixonei pelo Winter, uma estoria linda de superacao,Espero voltar por la qualquer dia desses, .abracos Elita 

     

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