The Tail of The Dragon

 

Dizem que The Tail of The Dragon (A Cauda do Dragão) tem mais de 300 curvas em 11 milhas (18 Km), ou seja, 16 curvas por quilometro, ou ainda, uma curva a cada 56 metros. Não posso confirmar esses números porque não foi possível contá-las.

Para falar a verdade, não é possível nem apreciar a paisagem logo na primeira vez. A concentração é total. Esse percurso tem que ser feito mais de uma vez. A primeira vez, como um levantamento e depois como curtição. É curto e rápido, dá pra fazer três vezes no mesmo dia. Vamos examinar melhor esses números: a 60 quilômetros por hora, estaremos fazendo aproximadamente 16 curvas por minuto, ou seja, uma curva a cada 4 segundos. Elas não são tão radicais como as do Passo Dello Stelvio, nos Alpes italianos, mas requer muita atenção.

O limite de velocidade é de 35 milhas por hora (56 Km/hora). A princípio, no início da estrada, parece baixo, mas assim que as curvas começam, notamos que essa velocidade é bastante adequada para esse tipo de estrada. As motos maiores, tipo cruiser, batem o cavalete no asfalto. Há poucos automóveis. Caminhões e trailers, nem pensar.

Fazer esse percurso é meio como um troféu, um item a mais no currículo. O trajeto é muito curto e não justificaria ir até lá só para isso. Entretanto, ele é a cereja no sorvete. A região é belíssima, repleta de estradas fantásticas para moto, uma mais linda que a outra, correndo junto a riachos de montanha, florestas, vales, represas e vilas pitorescas. Sem contar o relacionamento, é claro.

É muito fácil fazer amigos que tenham afinidades com você e trocar endereços para futuras aventuras, não importa qual seja seu estilo. Há todo tipo de motociclista: garotos esportivos com suas Ninjas, Hayabusas e CBRs em trajes de corrida em couro colorido, acima do limite de velocidade, é claro; há os coroas, com roupas e capacetes caros em suas BMW; os fora de estrada com GSs e Transalps, botas, coloveleiras e proteção por todo lado; tem aqueles com jeito de maluco rebelde, com suas Harleys depenadas, sem nenhum opcional; e há, ainda, os mais pesados, com suas Harleys e Gold Wings equipadas com todos os opcionais disponíveis na loja, som alto, suporte para lata de Coca e uma garupa peituda com encosto e apoio de braço.

Enfim, estão todos por lá. Há um ou outro acostamento que permite parar, mas esses estão ocupados por empresas que tiram fotos dos motociclistas nos curvas para vendê-las na internet. No extremo sul da estrada, há um motel simples com estacionamento e venda de junk food, onde o pessoal pára para conversar. Aí, cada um se junta à sua tribo. É incrível como um perfil não se mistura com outro, formando-se pequenos grupos, um para cada categoria de moto. Enfim, é uma experiência única.
Depois de matada a curiosidade e um leve passeio, é hora de fazer o check-in em um dos hotéis das cidades próximas e curtir as atrações “noturnas” de Robinsville, cidade onde pernoitamos, que vão até às oito horas da noite e podem incluir uma ida ao supermercado (sim, no singular) ou um jantar fora (também no singular). Volte antes das 10 horas porque corre um boato que eles enrolam o asfalto das ruas da cidade após esse horário. Que tal uma cerveja gelada, hein? Negativo.

Em Robinsville não se vende álcool de espécie alguma. Nem vinho, nem cerveja. Foi no supermercado que soubemos da lei seca, atônitos, o que nos deu ainda mais vontade de tomar aquele chope gelado. Realmente, não tinha idéia que uma coisa dessas pudesse existir. O jeito é dormir cedo e pegar a estrada pela manhã no dia seguinte. Foi o que fizemos. O dia seguinte foi melhor que o primeiro, percorrendo calmamente as fantásticas estradas daquela região ao invés da “competição” que é o trecho do Tail of the Dragon. Recomendo a todos.

É uma pena, mas chegou a hora de devolver a moto e voltar pra casa. Voltamos para Knoxville, onde havíamos alugado moto, pegamos o carro que havíamos deixado lá na locadora e voltamos de automóvel para Miami. Se quiser explorar essa região online e obter qualquer tipo de informação visite o site www.tailofthedragon.com. Há muitas dicas sobre quase tudo na região.
Boa viagem.

Fotos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Google Map da região, com destaque do trecho chamado Tail of the Dragon no box amarelo, e detalhe ampliado acima. Note que Tail of the Dragon é apenas um trecho de 30 milhas em meio a centenas de milhas de estradas montanhosas belíssimas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mapa detalhado com nome das curvas. Veja o ponto 14, Fugitive Bridge.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Graciela e eu com a Yamaha Super Tenere 1000 alugada, pronta para pegar a estrada.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Com o pé na estrada em frente à lojinha de camisetas e lembranças do Tail of the Dragon.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Estrada típica da região. Pouco trânsito, asfalto perfeito, curvas tranquilas e verde por todo lado no verão, amarelo e vermelho no começo do inverno.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Parada para curtir a paisagem da Cheoah Dam num dos poucos recuos na estrada. A ponte onde estamos chama-se “Fugitive Bridge”. Dizem que foi aqui onde gravaram a cena do filme “O Fugitivo”, quando Harisson Ford salta da barragem.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Cheoah Dam.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Pequeno shopping na estrada, dentro da reserva indígena, vendendo artesanato da região. Note que uma tradição dos índios Cherokee é aceitar o American Express.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Motociclistas dando um tempo nos poucos lugares que dão para parar, com vista para a represa Cheoah.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Barragem de Santeetla Lake.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Final do trecho Tail of the Dragon onde o pessoal descansa e conta mentiras sobre velocidade, desempenho das motos, entre outras. Ao fundo, o único motel de estrada nesse trecho. Ao lado, venda de junk food, que pode vir a ser deliciosa após o desgaste de muitas horas na estrada.

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